Blog por Marcia Denardin

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

TERCEIRA EDIÇÃO DO FÓRUM ATORES DA SAÚDE ACONTECE EM SÃO PAULO NO INICIO DE DEZEMBRO



Oi gente, tudo bem?

Faz tempo que não escrevo, muitas coisas aconteceram em minha vida neste período. Coisas boas e coisas ruins, infelizmente as ruins me tomaram tanto tempo, físico e mental que ficou bem complicado de levar a vida normalmente. Mas sobre isso falo em outro post. O legal, é que falar sobre esclerose, reencontrar os amigos e companheiros de trabalho, e aprender mais sobre como continuar fazendo a minha parte neste luta, me fez querer retornar a algo que posso chamar de vida entrando na normalidade novamente. E é sobre isso que quero comentar com vocês.
Na próxima semana começa a terceira edição do FAS - Fórum de atores da saúde, pensado pela AME para auxiliar, capacitar e estimular o pessoal da sociedade civil organizada. Esse pessoal como a gente, que tenta incansavelmente melhorar a vida de pacientes de diversas patologias com informações de qualidade em todas as áreas, inclusive sobre nossos direitos, que muitas vezes são ignorados.

O FAS 2.0 desse ano convidará as Organizações da Sociedade Civil (OSC’s) para uma Jornada do Ator da Saúde em capacitação.  Através da história narrativa do evento, serão abordados temas como comunicação, captação de recursos, encontro com jornalistas, inovação – o que é necessário saber para fazer a diferença na sociedade sendo uma OSC. Os “Atores da saúde 2.0” serão preparados para promover qualidade de vida ao “paciente 2.0”,  que participa ativamente nas decisões, na boa gestão de sua saúde e doença, através de redes de apoio na internet, informação de qualidade e seus direitos.

Ainda dá tempo de se inscrever, acessa o link e faz tua inscrição.

O Vivendo além da esclerose estará presente, e estará produzindo conteúdo diretamente do evento.
Fique ligado nas nossas redes social, facebook e instagram e não fique fora de todas as novidades do evento. Mas se puder estar presente, a gente bate um papo pessoalmente.

Logo abaixo, confira a programação completa dos dois dias de evento.

Nos encontramos por aqui, ou por lá.

Até mais!

PROGRAMAÇÃO COMPLETA DO FAS 2.0 2018

04/12
08:00 - 09:30
Credenciamento
08:30 - 09:30
Welcome Coffee
09:30 - 10:00
Bem-vindos ao FAS 2.0 18!
Maurício Duran, Nando Bolognesi
10:00 - 11:00
O que eu posso fazer por você agora?
Renata Quintella
11:00 - 12:00
O início e o fim: a comunicação
Luis Mauro Sá Martino
12:00 - 13:30
Almoço
13:30 - 14:30
O óbvio não existe!
Amanda Riesemberg, Priscila Torres
14:30 - 15:30
O novo só é novo se for desconhecido
Bruno Queiroz
15:45 - 16:45
Diversificar para angariar
Yasmin Youssef
16:45 - 18:00
O fio condutor
Saulo Bonassi
05/12

08:00 - 09:00
Welcome Coffee
09:00 - 10:30
É brincando que se aprende!
Guilherme Cianfarani, Pedro Markun
10:30 - 12:30
O caminho do Advocacy no terceiro setor
Gustavo San Martin, Marco A. Torronteguy, Tiago Farina, Vanessa Teich
12:30 - 13:30
Almoço
13:30 - 14:00
Entrega do troféu Ator da Saúde
14:00 - 15:00
Encontro com Jornalistas
Mateus Vargas, Theo Ruprecht, Tuca Figueira
15:00 - 15:30
Atividade: Sorteio de causas
15:45 - 17:15
Atividade: É hora da prática!
17:15 - 17:30
Lançamento do EAD
17:30 - 18:00
Absorção do conteúdo
Paulo Tonhasolo

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

E o nosso primeiro pedal foi um sucesso

Oi gente, tudo bem?

No dia 26 de agosto, dentro das atividades do #AgostoLaranja, tivemos aqui em Santa Maria o primeiro Pedale por uma causa, que no Brasil está na sua 4ª edição. Neste ano nove cidades pedalaram pela causa da esclerose
múltipla, foram 1600 inscritos e 1,3 toneladas de alimentos recolhidos para doação. O evento idealizado pela AME - Amigos Múltiplos pela Esclerose, que tem a intenção de chamar a atenção para a causa da esclerose múltipla.
Aqui em nossa cidade o evento tem o apoio para a realização do blog vivendo além da esclerose.
Quero agradecer a todos que estiveram conosco neste domingo de frio, mas de muito calor humano. Foi muito importante a participação de cada um de vocês, e espero encontrá-los novamente no próximo ano.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Uma pedal por uma baita causa




Pela primeira vez em Santa Maria o 
"Pedale por uma Causa"


O QUE É?
Pedale Por Uma Causa é uma ação de conscientização, realizada em várias cidades, que consiste em uma pedalada em que os
participantes percorrem as ruas das cidades vestidos de laranja. Lembrando que o Pedale por uma Causa não é um evento com foco nos pacientes com Esclerose Múltipla, mas todas as
pessoas que convivem com EM são bem-vindas.

OBJETIVO
Através do Pedale Por Uma Causa buscamos disseminar informação de qualidade para todas as pessoas - é por isso, inclusive, que o foco não são as pessoas com EM, e sim todos que podem se beneficiar desses conhecimentos.

Pedale em Santa Maria

Pela primeira vez, o pedale por uma causa será realizado em nossa cidade e vamos todos pedalar pela causa da ESCLEROSE MÚLTIPLA no município com maior casos da doença no paí, e muitos parceiros estão conosco neste evento.


APEMSMAR - LUCATELLI BIKES - PROGRAMA REALIDADE - DIÁRIO DE SANTA MARIA -TV SANTA MARIA - NICOLA MOTOS - SONO CONFORT - SOPARCEIRO - PREFEITURA DE SANTA MARIA - GURI DO MATE - SEIVA PURA - INTECSOL - NET - CORSAN 

E você,

para isto basta fazer sua inscrição AQUI e não esquece de levar 1kg de alimento para trocar pelo seu kit (camiseta, medalha e balão).
Todos os alimentos recebidos, serão entregues ao Projeto SOPARCEIRO no local do evento.

Dia 26 de agosto
Nicola Motos na Av Dores
9h30min distribuição de kits e recolhimento de alimentos
Mateada com distribuição de erva mate e água quente organizado pelo Guri do Mate, Seiva Pura e Intecsol
Animação: Cadu Fernandes
Encerramento: Patríck Cortes

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

ANVISA aprova medicamento inédito para tratar as duas formas de esclerose múltipla no Brasil

Resultado de imagem para OCREVUS®
Oi gente, tudo bem?
Faz tempo que não escrevo, mas hoje venho contar uma boa novidade pra vocês!
A Anvisa acaba de aprovar o OCREVUS® (ocrelizumabe) para ambas as formas da esclerose múltipla: a remitente recorrente, que atinge 85% dos pacientes, e a progressiva primária, para qual ainda não havia tratamento. 

A aprovação se baseou em três grandes estudos que comprovaram redução da incapacidade e progressão da doença. Além disso, o medicamento é administrado via intravenosa semestralmente, dando ao paciente mais comodidade e flexibilidade para continuar o tratamento.

Abaixo, segue o release que recebi por e-mail com todas as informações sobre a medicação, os teste, a Roche e claro sobre EM. 

Um beijão e até breve!


ANVISA aprova medicamento inédito para tratar as duas formas de esclerose múltipla no Brasil
 Estudos comprovaram eficácia e segurança do medicamento ocrelizumabe, que acaba de ser aprovado no País, para tratamento das formas remitente recorrente e primária progressiva, para a qual ainda não havia terapias aprovadas.
 A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprovou o uso do anticorpo monoclonal ocrelizumabe, com o nome comercial OCREVUS®, para tratar a esclerose múltipla, doença que afeta cerca de 35 mil¹ pessoas no país, sobretudo na fase em que estão mais ativas e produtivas, entre os 20 e 40 anos². A aprovação foi baseada em três grandes estudos científicos multicêntricos cujos resultados, publicados na edição de janeiro de 2017 da New England Journal of Medicine (NEJM), demonstraram reduções consistentes nos principais marcadores de atividade e progressão da esclerose múltipla.
Inédito para a forma primária progressiva, os pacientes tratados com ocrelizumabe tiveram probabilidade de apresentarem progressão da incapacidade 25% menor em seis meses. Ocrelizumabe também diminuiu significativamente o ritmo de progressão da incapacidade para caminhar, medida pelo teste de caminhada cronometrada, sendo a redução de 29,4% em comparação ao placebo. O tratamento com a molécula diminuiu a probabilidade de surtos graves e progressão da deficiência, triplicou o número de portadores sem evidência de doença ativa e reduziu o risco da necessidade da utilização de cadeira de rodas.
 Já as pessoas com esclerose múltipla remitente recorrente que fizeram uso do ocrelizumabe, mostraram menos evidências de progressão da doença também na função dos membros superiores e menos problemas na marcha.  A terapia teveeficácia superior, com aproximadamente 80% dos pacientes livres de recidiva e aumentou significativamente a probabilidade de desaparecimento das evidências de atividade da patologia em 64% no estudo OPERA I e 89% no OPERA II.
"A aprovação do ocrelizumabe pela ANVISA representa uma nova esperança para pacientes com esclerose múltipla que mantém atividade da doença e progressão de incapacidade, apesar dos tratamentos disponíveis. Além de ser a primeira terapia da classe direcionada exclusivamente para as células B”, disse Lenio Alvarenga, diretor médico da Roche Farma Brasil. "Até agora, nenhum tratamento aprovado pelo órgão estava disponível para ambas as formas da doença EMR e EMPP. Acreditamos, considerando os estudos clínicos, que o ocrelizumabe tem o potencial de mudar o curso da doença e concretizar nosso objetivo de transformar o avanço no conhecimento científico em novas terapias que atendam às necessidades dos pacientes, nossa principal contribuição para a ciência e a sociedade", reforça o diretor.
A esclerose múltipla é uma doença degenerativa e sem cura que se manifesta de duas formas. A mais comum, encontrada em cerca de 80% dos casos, é a remitente recorrente que é caracterizada por exacerbações (surtos) seguidas por melhora total ou parcial da incapacidade gerada. Já a forma progressiva é o desenvolvimento dos sintomas e dos déficits neurológicos sem remissão das lesões. Nos dois casos, a doença afeta o sistema nervoso central e medula espinhal dos pacientes dificultando os movimentos motores e a independência dos portadores dessa doença. 
 Referências:
¹Estimativa Associação Brasileira de Esclerose Múltipla – ABEM; http://abem.org.br/esclerose/o-que-e-esclerose-multipla/#diagnostico
² - European Multiple Sclerosis Platform. MS – Fact Sheet 2013. Disponível em:http://www.emsp.org/projects/ms-barometer/

Sobre a esclerose múltipla
A esclerose múltipla (EM) é uma doença crônica que afeta cerca de 35 mil pessoas no Brasil, segundo a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla – ABEM, para a qual não há cura. EM ocorre quando o sistema imunológico ataca anormalmente o isolamento em torno de células nervosas (bainha de mielina) no cérebro, medula espinhal e nervos ópticos, causando inflamação e danos consequentes. Este dano pode causar uma ampla gama de sintomas, incluindo fraqueza muscular, fadiga e dificuldade em ver, e pode, eventualmente, levar à deficiência. A maioria das pessoas com EM são mulheres e experimentam seu primeiro sintoma entre 20 e 40 anos de idade, tornando a doença a principal causa de incapacidade não-traumática em adultos mais jovens.
A EM remitente recorrente é a forma mais comum da doença, aproximadamente 85% dos diagnosticados, e caracteriza-se por episódios de sinais ou sintomas novos ou agravados (recorrências), seguidos de períodos de recuperação. A maioria dos pacientes desta forma da doença irá, eventualmente, fazer transição para EM secundária progressiva, em que eles experimentam agravamento contínuo da deficiência ao longo do tempo.
Já a EM primária progressiva é uma forma debilitante da doença marcada por sintomas que se agravam de forma constante, mas tipicamente sem recorrências distintas ou períodos de remissão. Aproximadamente 15% dos pacientes com esclerose múltipla diagnosticados, têm a forma progressiva da doença e, até agora, não havia nenhuma terapia aprovada.
A atividade da doença consiste em inflamação no sistema nervoso e perda permanente de células nervosas no cérebro e medula espinhal, mesmo quando seus sintomas clínicos não são aparentes ou não parecem estar piorando. O objetivo do tratamento é reduzir a atividade da doença para impedir que a incapacidade progrida.

Sobre o estudo OPERA I e II
Nos dois estudos de Fase III, OPERA I e OPERA II, ocrelizumabe demonstrou eficácia superior nos três principais marcadores da atividade da doença determinando redução, pela metade, das reincidências de surtos por ano, retardando o agravamento da incapacidade e reduzindo significativamente as lesões de sistema nervoso central  à ressonancia magnética durante o período de tratamento controlado de dois anos. Além disso, uma proporção semelhante de pacientes, entre ocrelizumabe e o medicamento comparador (betainterferona-1a em dose alta, apresentaram uma baixa taxa de eventos adversos e infecções graves.
Os dados dos dois estudos (OPERA I e OPERA II) em Esclerose Múltipla Remitente Recorrente mostraram que ocrelizumabe foi superior a betainterferona-1a, uma terapia bem estabelecida em termos de redução de três importantes marcadores de atividade da doença: recidivas (parâmetro primário), progressão da incapacidade e atividade da lesão cerebral nos dois anos do período de tratamento controlado.
Sobre o estudo ORATORIO
Em um estudo de Fase III focado em pacientes com esclerose múltipla primária progressiva, denominado ORATORIO, o ocrelizumabe reduziu significativamente o risco de progressão da incapacidade confirmada, de modo sustentado por pelo menos 12 semanas (parâmetro primário) e 24 semanas (um parâmetro secundário importante), em comparação ao placebo. O tratamento com ocrelizumabe também mostrou redução significativa nos sinais de atividade da doença.
Sobre ocrelizumabeCom o nome comercial OCREVUS ®, o ocrelizumabe é o primeiro e único medicamento que obteve aprovação para o tratamento da esclerose múltipla primária progressiva e para a forma remitente recorrente. Trata-se de um anticorpo monoclonal humanizado recombinante desenvolvido  para atuar apenas nas células B CD20positivas, um tipo específico de célula imunológica que determina danos à mielina (substancia responsável pelo isolamento e suporte de células nervosas) e danos axonais (células nervosas). Com base em estudos pré-clínicos, ocrelizumabe, liga-se a proteínas de superfície de células CD20 expressas em certas células B, mas não em células tronco linfóides e plasmócitos. e, portanto, sua ação mantém  preservadas funções importantes do sistema imunológico, como a formação de anticorpos.
Sobre a Roche
A Roche é uma empresa global, pioneira em produtos farmacêuticos e de diagnóstico, dedicada a desenvolver avanços da ciência que melhorem a vida das pessoas. Combinando as forças das divisões Farmacêutica e Diagnóstica, a Roche se tornou líder em medicina personalizada - estratégia que visa encontrar o tratamento certo para cada paciente, da melhor forma possível.
É considerada a maior empresa de biotecnologia do mundo, com medicamentos verdadeiramente diferenciados nas áreas de oncologia, imunologia, infectologia, oftalmologia e doenças do sistema nervoso central. É também líder mundial em diagnóstico in vitro e tecidual do câncer, além de ocupar posição de destaque no gerenciamento do diabetes. Fundada em 1896, a Roche busca constantemente meios mais eficazes para prevenir, diagnosticar e tratar doenças, contribuindo de modo sustentável para a sociedade. A empresa também visa melhorar o acesso dos pacientes às inovações médicas trabalhando em parceria com todos os públicos envolvidos. Vinte e nove medicamentos desenvolvidos pela Roche fazem parte da Lista de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial da Saúde, entre eles, antibióticos que podem salvar vidas, antimaláricos e terapias contra o câncer. Pelo oitavo ano consecutivo, a Roche foi reconhecida como a empresa mais sustentável do grupo Indústria Farmacêutica, Biotecnologia e Ciências da Vida pelos Índices Dow Jones de Sustentabilidade (DJSI).
Com sede em Basileia, na Suíça, o Grupo Roche atua em mais de 100 países e, em 2016, empregou mais de 94.000 pessoas em todo o mundo. No mesmo ano, a Roche investiu 9,9 bilhões de francos suíços em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e suas vendas alcançaram 50,6 bilhões de francos suíços. A Genentech, nos Estados Unidos, é um membro integral do Grupo Roche. A Roche é acionista majoritária da Chugai Pharmaceutical, no Japão. Para mais informações, visite www.roche.com.br.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

RADIALISTA FALA SOBRE CARREIRA E ESCLEROSE MÚLTIPLA

Oi gente, tudo bem?


Faz tempo que não escrevo, estive envolvida com uma cirurgia de catarata no meu pai, e os cuidados pós-operatórios, fiz duas viagens e acabei deixando o blog um pouco de lado. Mas postei algumas coisas na página do blog no face, podemos nos falar por lá também.


Hoje eu gostaria de compartilhar com vocês uma matéria que o jornal Diário de Santa Maria, através do querido Lorenzo Seixas, publicou no último final de semana de novembro. Eu recebi a matéria como um presente de aniversário, sim, porque meu aniversário foi no dia 14 de novembro. Gente, eu adoro aniversários, quase tanto quanto gosto de natal e ano novo.


Vou colocar a entrevista toda aqui, mas se quiserem ver no site do jornal, podem acessar o link abaixo.


Um beijo grande e até mais.


Radialista fala sobre carreira e esclerose múltipla: Aos 48 anos, Marcia atua como radialista desde os 17 e convive com a esclerose desde os 33



com a palavra

Radialista fala sobre carreira e esclerose múltipla

27 Novembro 2017 00:00:00

Aos 48 anos, Marcia atua como radialista desde os 17 e convive com a esclerose desde os 33

Mãe incansável e guerreira, Marcia Denardin, 48 anos, é uma contadora de histórias por natureza. Figura presente na radiodifusão santa-mariense há quase 30 anos, Marcia apresenta, de segunda a sexta, o programa Realidade, nas manhãs da Rádio Guarathan. Em entrevista concedida ao Diário, a mãe de Fernando, 22 anos, Rafael, 21, Léo, 17 e Júlia, 16, expôs uma das histórias mais bonitas de sua coleção: a própria. A jornalista e brigadiana viu uma ascensão profissional meteórica, na década de 80. Depois, viveu um período difícil, causado pelo diagnóstico de esclerose múltipla, na década de 2000. Sem se deixar abalar, passou a dividir suas experiências pelo blog Vivendo Além da Esclerose.
Diário – Como foram os primeiros anos da Marcia Denardin? 
Márcia Denardin –
 Fui criada no Bairro Nossa Senhora de Lourdes,aqui em Santa Maria, pelos meus pais Oreste Denardin e Edecy Denardin. Moro aqui até hoje. Foi uma infância bem legal, de subir em árvore, brincar de polícia e ladrão. Tínhamos uma pitangueira por aqui, e subíamos nela. Era a nossa nave espacial, e nela viajávamos por mundos e universos, por meio da imaginação. E realmente acreditávamos nisso, porque descíamos da árvore cansados, como se realmente tivéssemos viajado. Como era diferente a imaginação da gente na época. O mundo virtual de hoje, era na nossa cabeça. Estudei nas escolas Dom Luiz Victor Sartori, Nossa Senhora de Fátima e terminei no Maria Rocha, onde descobri o amor por handebol.
Diário – Como surgiu a vontade de fazer radialismo? 
Márcia – Fiz vestibular para História e Direito, mas sempre gostei de rádio. Eu escutava muito a Rádio Cultura, que tinha o programa Cultura Nativa, com o Norton Cesar. Eu tinha um namorado, na época, que,assim como eu, gostava muito de nativismo. Íamos a todos os festivais juntos. Aos 17 anos, fui à Rádio Guarathan, falei com Cláudio Zappe, um dos diretores da época. Falei que não tinha experiência, mas gostava e conhecia muito sobre nativismo e que adorava rádio. Ele me fez umas perguntas sobre nativismo. Na época, a rádio ia a todos os festivais e naquele fim de semana ia ao Candeeiro de Restinga Seca. Propuseram-me um teste lá, para ajudar na cobertura. Fui bem e, na segunda-feira seguinte, assinaram a minha carteira. A partir disso, fiz o curso de locutora, radialista, entrevistadora, animadora e apresentadora de rádio e televisão.
Em 2003, Márcia aos 34 anos, com os filhos.
Em 2003, aos 34 anos, com os filhosFoto: Marcia Denardin / Arquivo Pessoal
Diário – E como foi começar na rádio aos 17 anos? 
Márcia –
 Comecei na produção. Depois, recebi um convite da Rádio Medianeira para fazer um curso direcionado para apresentação de rádio. Acabei sendo convidada a trabalhar lá. Depois, recebi um convite do Sindicato dos Professores Universitários para a Rádio Universidade até retornar à Rádio Medianeira, para a cobertura das eleições de 1988. Enquanto contávamos os votos no CDM, um diretor da RBS me observou. Ele me indicou para fazer um teste na emissora, que estava precisando de repórter de TV em Uruguaiana. Passei, e fui para lá, aos 20 anos.
Diário – Saiu de Santa Maria e ganhou o Rio Grande do Sul? 
Márcia – 
Foi um tempo bom. Lá, acompanhava as atividades e rondas da Polícia Civil. Na época, abriu um concurso para a Brigada Militar, fiz, passei e resolvi fazer o curso. Larguei a televisão e voltei para Santa Maria para cursar. Passado um ano, me formei, e fui comandar o policiamento feminino na Festa da Uva, em Caxias do Sul. Depois, fui para Porto Alegre, de 1991 a 1994 e fiz Jornalismo na Ulbra, em Canoas. O Coronel Maciel me convidou, já grávida, para trabalhar com ele na Justiça Militar. Em 1994, assustada com a violência da Capital, pedi transferência para Santa Maria, onde tive meu primeiro filho no Hospital da Brigada Militar de Santa Maria, onde também trabalhei. Depois, fui para o 1º Regimento, trabalhar na Comunicação Social. Trabalhei um tempo lá, fazendo Operação Golfinho. Chegava a dar boletins diários para as rádios do Interior e Capital. Um dia, voltando para Santa Maria, descobri a esclerose múltipla após sentir os sintomas.
Em 2013, na Dinamarca. Na foto, guarda do palácio da Rainha e Marcia.
Em 2013, na Dinamarca, com um guarda do palácio da RainhaFoto: Marcia Denardin / Arquivo Pessoal
Diário – Como a esclerose foi diagnosticada? 
Márcia –
 Em 2002, estava dando papinha para a minha filha, Júlia, que tinha seis meses, e senti dores muito fortes. Fadiga e perda de forças. Meus médicos não sabiam explicar. Meu comandante, o capitão Worney Dellani Mendonça, hoje coronel, sabia que eu não era de mutreta. Não tinha forças para carregar o colete de brigadiano. Tinha muita dor de cabeça e não havia diagnóstico para isso. Um dia, cheguei com muita dor em Porto Alegre e fiz exames. Na ressonância apareceram as letras: EM. Um dia, escutando rádio, ouvi uma entrevista com Dr. Juarez Lopes, meu médico hoje. Consultei com ele, que desmitificou minhas dúvidas sobre o estado vegetativo e outras questões. Disse-me, também, que na Brigada eu não podia mais trabalhar. Naquele momento, com a doença ativa, eu precisava ser internada. Passei por um período horrível. Foram 50 internações entre 2002 e 2013. Fiquei sem andar, andei de bengala e de cadeira de rodas. O diagnóstico veio em 2004 e, ainda assim, veio cedo.
Diário – E como foram os anos de recuperação? 
Márcia – A vida segue. Em 2010, comecei a trabalhar na Associação dos Portadores de Esclerose Múltipla de Santa Maria e Região (Apemsmar). Meu médico sugeriu o convívio com outros pacientes. Demorei a ir porque achava que iam falar somente de tristeza e doença. Enganei-me. Fui diretora da comunicação social, fizemos eventos de conscientização, e tivemos ajuda do pessoal da música, do futebol. Através da Apemsmar, colocamos o gilenya no SUS, uma medicação nova. Foi essa medicação que me deixou bem como estou hoje. Por esse trabalho na instituição, vieram convites para viajar, para falar sobre a doença. Eu me sentia útil fazendo comunicação social na instituição, em prol de algo positivo. A esclerose não é doença de velho, é a segunda doença que mais tira jovens do mercado de trabalho.
Diário – Aí veio o retorno à Rádio Guarathan? 
Márcia – 
Eu acompanhava o grupo musical Sambô, parceiros nossos na campanha pela liberação do gilenya. Em janeiro de 2014, eu estava em Rio Grande, em um show deles, quando o Renato Oliveira me ligou e me fez o convite para cobrir as férias do Leonel Colvero na rádio. Eu achava que não conseguiria, mas o Renato me incentivou a ficar esse mês no Realidade. Depois, surgiu o convite de ir para lá, agora, em definitivo, porque o Colvero ia se aposentar. Consegui a abertura de transformar o programa Realidade mais voltado a minha realidade, falando sobre a esclerose e outras notícias. Fazemos todos os anos um programa especial para o Dia da Esclerose Múltipla. Não posso separar a Marcia comunicadora da Marcia cidadã e esclerosada.
No restaurante Biroska, com os filhos e a nora, em novembro de 2016.
Em momento descontraído, com os filhos e a nora, em novembro de 2016Foto: Marcia Denardin / Arquivo Pessoal
Diário – E como é olhar para trás e ver a doença superada? 
Márcia –
 É maravilhoso! Hoje, não tenho problemas, fora fadiga. Se eu controlar, está tranquilo. Posso usar salto, dirigir e viajar, que são atividades que eu adoro. Subo, diariamente, 60 degraus para chegar à rádio (risos). Eu contei! Hoje, posso aproveitar meu amor por música, ir a barzinho, que amo. As pessoas mais importantes pra mim são meus filhos. Assistimos séries juntos, vamos ao cinema juntos, temos os mesmos gostos. Me sinto uma pessoa, não digo merecedora, mas eu fui agraciada. As coisas mais simples alimentaram minha felicidade, como jogar videogame com um filho, bola, poder passear, coisas que me foram tiradas nesses anos que fiquei no hospital. A felicidade às vezes está tão perto de nós, e às vezes não enxergamos. Tomar um mate com alguém é mais prazeroso que ganhar na loteria.
Diário – Dê um recado para quem foi diagnosticado recentemente. 
Márcia – 
É só mais um diagnóstico. É só mais uma coisa a ser superada. É só mais isso. A vida não terminou e a gente melhora muito, como pessoa, depois de um diagnóstico desses. Não se apavorar. Tem um nome feio, mas não é tão feio assim.